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14 de junho de 2017

FCCIAT debate impacto dos agrotóxicos sobre as abelhas

As abelhas têm papel fundamental na produção dos alimentos presentes na mesa do consumidor, pois são importantes agentes polinizadores das plantas. Porém, estudos apontam que os agrotóxicos estão dizimando as abelhas e colocando a produção de alimentos em risco.

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As abelhas têm papel fundamental na produção dos alimentos presentes na mesa do consumidor, pois são importantes agentes polinizadores das plantas. Porém, estudos apontam que os agrotóxicos estão dizimando as abelhas e colocando a produção de alimentos em risco. Este foi o foco da palestra de abertura da reunião do Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FCCIAT), realizada na sexta-feira (02/6), na sede do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), sob coordenação da Promotora de Justiça Greicia Malheiros da Rosa Souza. Na reunião, os integrantes do Fórum também aprovaram o Plano de Ação e Diretrizes Políticas de 2017.

A palestra foi ministrada pela professora Generosa Souza Ribeiro, coordenadora do Laboratório de Apicultura e Meliponcultura da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). A discussão a respeito dos impactos dos agrotóxicos nas abelhas está presente no mundo todo. “As abelhas tem extrema importância no campo e influenciam diretamente na qualidade, e quantidade, dos alimentos presentes na mesa do consumidor”, explicou a professora.

Entre os temas mundialmente discutidos, está a Síndrome do Colapso das Colônias das abelhas, fenômeno já percebido nos EUA e em países europeus, além do Brasil. O Colony Collapse Disorder, como é chamado em inglês, se refere ao desaparecimento em massa das populações de abelhas. Entre as causas, a Professora Generosa ressalta a degradação ambiental e o uso desenfreado de agrotóxicos.

No encontro foram discutidas as consequências do desaparecimento das abelhas no Brasil e algumas das possíveis medidas para combater as causas do problema. Devido ao desaparecimento desses insetos, em muitos cultivos os agricultores precisam utilizar métodos alternativos para que a polinização ocorra, como, por exemplo, contratar o uso temporário de colmeias, que oneram a produção. Além disso, essas as abelhas dessas colmeias também ficam expostas aos agrotóxicos aplicados nos cultivos, repetindo o ciclo de adoecimento dos insetos que tem levado ao seu desaparecimento.

Após a palestra da Professora Generosa foi aberto espaço para debate. Nesse momento, alguns apicultores ressaltaram a importância do Fórum realizar um evento focado em discutir essa temática. “Nossas abelhas estão morrendo”, explicou o apicultor Laudemir Favarim, do Município de Videira, ao relacionar como outra possível causa do colapso das colmeias a expansão da lavoura de organismos transgênicos. Segundo Favarim, plantas transgênicas como a soja, o milho, o algodão e mais recente o eucalipto são grandes fornecedores de proteína (pólen) e de energia (néctar), que é coletado pelos insetos adultos (abelhas e outros) para a própria alimentação e a de suas crias. Ao estocarem pólen e néctar oriundos de plantas transgênicas, as abelhas são contaminadas pela bactéria (bacillus thuringiensis) com efeito de inseticida que é inoculada nos organismos transgênicos, destruindo assim a renovação da colmeia.

Além da palestra, foi aprovado a revisão do Regimento Interno e o Plano de Ação e Diretrizes Políticas de 2017 do FCCIAT.

Veja abaixo as diretrizes aprovadas:

  • Promover o direito à informação sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente
  • Estimular a criação de instrumentos de controle social e de combate aos impactos dos agrotóxicos e fortalecer os já existentes
  • Pleitear a participação do FCCIAT em grupos e comissões de âmbito nacional que discutem o tema dos agrotóxicos
  • Ampliar e aperfeiçoar a atuação de instâncias, instituições e órgãos envolvidos no combate aos impactos dos agrotóxicos
  • Sensibilizar e mobilizar a sociedade para a busca de alternativas ao modelo convencional de produção dependente dos agrotóxicos, prevenir a ocorrência, os riscos e os impactos dos agrotóxicos,
  • Acompanhar e sugerir procedimentos, ampliar a tutela da saúde e do meio ambiente ante aos impactos dos agrotóxicos
  • Promover o aprimoramento do sistema brasileiro de regulação relativos a autorização, fabricação, comercialização e uso dos agrotóxicos.
  • Avaliar a atuação do Fórum e ampliar suas ações em parceria com outros órgãos e entidades civis.

Sobre o FCCIAT

Fomentado pelo MPSC, Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Trabalho (MPT), o Fórum foi criado em fevereiro de 2015 com a finalidade de instituir um espaço de debate para formulação de propostas, discussão e fiscalização de políticas públicas relacionadas aos impactos dos agrotóxicos e transgênicos na saúde da população. Atualmente, mais de 80 instituições públicas e privadas integram o grupo.

Imagem: Divulgação

Fonte:
Riomafra Mix
Autor:
Da redação
Publicado em:
6 de junho de 2017

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